quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Chuva

26 de maio
Não chove há três meses. Toda a cidade está preocupada. Precisamos de chuva em uma pequena área rural como essa. As plantações. Os açudes.

7 de junho
Marlene chora à noite. As meninas também estão preocupadas. Eu comecei a ir à igreja.

16 de junho
Sem chuvas. Estou indo à igreja praticamente toda noite. Deus há de nos salvar.

28 de junho
Por favor Deus, deixe chover.

1º de julho
Nada de chuva.

4 de julho
Não podemos acender os foguetes pelo Dia da Independência. Está tudo tão seco. Eu consegui uma Bíblia em latim e a li hoje. Nenhuma chuva.

24 de julho
Sem chuva. Quatro meses agora. Fomos amaldiçoados?

6 de agosto
Sem chuva. Desisti de rezar. Outros deuses existem, não é? Os demônios pagãos são cheios de truques, mas talvez eles possam nos ajudar.

18 de agosto
Dança da chuva, a noite toda. Sem chuvas. Preciso de mágica mais forte.

25 de agosto
Matei um bezerro. Chamei pela chuva. Nuvens de chuva no horizonte. Sumiram à tardinha.

3 de setembro
Chuva!! Doce chuva! Funcionou. Nenhum preço é alto demais pela sobrevivência.

7 de setembro
O funeral até que foi bem agradável.

18 de setembro
Um único dia de chuva não é o suficiente.

21 de setembro
Choveu. Fiquei tremendo a noite toda depois de fazer.

27 de setembro
Está chovendo. Deus me perdoe.

1º de outubro
Choveu hoje. As pessoas estão dizendo que a cidade é amaldiçoada. Eu parei de ir aos funerais.

9 de outubro
Marlene descobriu. Eu não sei como. Talvez haja uma razão pela qual deixamos de lado nossas pirâmides escalonadas e facas.
Vai chover amanhã.
_____________
Traduzido e Adaptado de: Creepypasta Wiki
Tradução e adaptação: Capitu

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Lugares assombrados do Brasil





Após o recesso do nosso blog, estaremos mostrando um vídeo de nosso canal parceiro!

Após ver, entrem, se inscrevam e dê like! O conteúdo do cara é de ouro!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Recesso

A equipe Creepypasta puro gostaria de desculpá-los pela ausência de postagem, e gostariamos de avisá-los que voltaremos depois do dia 02/01/2017.

Desejamos boas festas para vocês e pedimos desculpas pelo transtorno.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Creepypasta dos Fãs - Nail's Art (Parte 3)

Pois é pessoal, estive nos dias anteriores meio pra cá, meio pra lá... Já começo pedindo desculpas pela demora da parte três desta incrível obra, ando meio louco da cabeça (se é que me entendem) ultimamente, então me perdoem se vocês passarem os olhos por alguma bobagem. Alguns problemas pessoais que me trazem estresse e essa cicatriz no mundo que persiste até agora, não sei se posso considerar esses dias de ausência em postagens como um luto, mas eu irei.

Enfim, a vida continua, vamos ao que interessa. Peço a compreensão de vocês.

 CLIQUE AQUI para a primeira parte da série. Ou aqui para a segunda.


                   Nail's Art (Parte 3) por Wagner De La Cruz


Pela manhã, como de praxe, Dani acordou antes do despertador tocar para preparar o café das garotas. Ainda que não tivessem a convivência adequada à noite, nas primeiras horas do dia, à mesa, eram uma família digna de comercial de margarina, tão unidas e felizes quanto pudessem ser.

Apesar de Luísa choramingar pelo término do Chaves, Daniela conseguiu contornar este problema e, aparentemente, evitou o início da terceira guerra mundial. Ficou combinado que a caçula ganharia um presente no fim de semana caso se comportasse e não chorasse mais. Evidentemente, a mãe nem sabia qual presente daria à filha, mas não queria iniciar o dia se indispondo.

Antes de Amanda sair para levar Luísa na creche e ir para a escola, Dani lhe deu dez reais para pagar a diária do DVD, além de fazer as recomendações que repetia diariamente e que Amanda, em piloto automático, apenas assentia.

Por fim, depois que as filhas saíram, Daniela aprontou-se rapidamente e também saiu. Não era do tipo que se atrasava, principalmente quando tinha cliente pela manhã. Também não era muito fã da primeira-dama, a achava fútil e prepotente, tal qual o prefeito, mas serviço era serviço. Não faria juízo de caráter.

Irônicamente, o ônibus em que Daniela estava precisou pegar uma desvio em Mariluz, bairro centro-norte de Imbé, devido a um bandeiraço matutino em prol da candidatura à reeleição de Pedro Dias. O caminho pela RS-786 iria atrasar a chegada de Dani em pelo menos vinte minutos.

- Que droga! [pensou em voz alta] Quem faz bandeiraço numa QUARTA às 8:45?!

***

- Boa tarde! [disse Janaína, de forma debochada, quando Daniela chegou ao salão, às 9:25]

Daniela devolveu o cumprimento apenas com um aceno e um sorriso, elementos que seus amigos sabiam ser algo quase cínico, mas que para a primeira-dama soaria como um pedido de desculpas.

Quando Janaína chegou, pontualmente às nove horas, Leonardo já tratou de começar os trabalhos nos cabelos da cliente. Também não tinha muita afeição pela mulher, mas estava interessado é no pagamento que receberia, sobre tudo nas gorgetas. Beth chegou a se oferecer para fazer as unhas, mas, como não tinha o nível artístico de Dani, fora rejeitada.

- E então, dona Janaína, qual cor vai querer? [perguntou Daniela, simpatissíssima para quem não a conhecia]

- Ah, pode ser aquele vermelho que fiz a última vez... [dizia Janaína, quando Léo fez uma pausa para que pudesse escolher o esmalte certo. Então, os olhos da mulher se fixaram em um vidro específico] Não! Eu quero AQUELE vermelho!

O vidro que Janaína fitava com olhar fascinante era o mesmo que encantara a própria manicure no dia anterior. Aquele tom de vermelho se sobressaia aos demais, tal era sua beleza. Ao pegar o vidro para iniciar o serviço, Dani podia jurar que o mesmo estava aquecido pela intensidade e força do esmalte colorido. Bonito demais para esta vaca, pensou.

O dia estava com céu de brigadeiro. Depois da tempestade sempre vem a bonança, dizia o velho ditado. Seria uma tarde que daria praia, pensava a manicure. Enquanto trabalhava, Dani refugiou-se nela mesma, ignorando o papo furado da mulher do prefeito, imaginando-se à beira-mar com as filhas, promessa que fizera e adiara inúmeras vezes no último verão, e respondendo com monossílabas esporadicamente. Se estivesse um dia cinzento, imaginaria-se em uma tarde em casa, com Amanda e Luísa, vendo um DVD (poderia até ser o do Chaves!) e comendo pipoca. Afinal, qualquer refúgio interno era melhor do que ouvir conscientemente a falação fútil e desenfreada de Janaína.

De fato, a cliente era apenas uma esposa troféu. Só acompanhava o marido em viagens para servir de adorno, e não se importava com isto. Tampouco dava sinais de se incomodar com os falatórios sobre a diferença de idade de vinte e sete anos entre eles. Sua vida era ter um cartão de crédito com um belo limite, visitar locais chiques, ter as melhores roupas, frequentar os melhores hotéis e, o mais divertido, contar tudo para os menos afortunados e causar inveja.

Nem Daniela, nem Janaína perceberam quando, por menos de cinco segundos, uma nuvem passageira cobriu o sol, criando uma sombra sobre o salão que logo se dissipou. Mas ambas perceberam que a temperatura caiu uns cinco graus repentinamente, já que quase coordenadamente sentiram um arrepio na espinha dorsal.

- Léo e a mania de ligar o ar no mínimo! [disse Daniela]

O aparelho de ar condicionado localizava-se na parede atrás do cabeleireiro. E marcava exatos 25°.

***

Perto das 11 da manhã o trabalho de Dani havia sido concluído. O esmero era impressionante e louvável. As decorações em amarelo e preto sobre o esmalte vermelho, as cores do partido do atual prefeito, assentaram bem, tendo a mulher escolhido tribais indistintos e, no polegar da mão direita, um símbolo chinês que significava "fortuna".

Enquanto Léo dava os últimos retoques no penteado de Janaína, Dani foi consultar a sua agenda. Lembrava-se de ter um serviço marcado para o meio-dia, mas quis confirmar. Encontrou o nome da cliente riscado.

- Ué?! A Thaís desmarcou? [perguntara à Beth]

- Sim, ela me mandou um WhatsApp pela manhã, remarcou para sexta. Tudo bem?

- Sim, sem problema. Vou aproveitar e marcar para a Amanda. Quinta tem Feira de Ciências, aí já faço as unhas dela hoje, já que não sei que hora vou chegar em casa depois do trabalho.

As engrenagens do destino novamente funcionavam à todo vapor, e o rumo da vida de Daniela, Amanda e até da pequena Luísa seria alterado drásticamente com um punhado de palavras enviadas através de um aplicativo de mensagens eletrônicas: "Filha, vem aqui no salão a uma hora. Marquei horário para ti".

***

Sem nenhum evento político, os ônibus puderam trafegar novamente pelas rotas pré-determinadas. Eram 13:25 quando Amanda e Luísa desembarcaram no ponto mais próximo ao salão da mãe.

- Promete que deixa eu pintar as unhas também? [perguntara Luísa. A caçula era fascinada pela arte. Apesar de Amanda também gostar, Dani sabia que Luísa é quem seria sua sucessora]

- Sim. Anda, mana, senão vamos nos atrasar!

Amanda sabia o quanto a mãe era ocupada, e estava ansiosa: faria todas as amigas morrerem de inveja. Sempre ficavam roxas de ciúme cada vez que Daniela decorava as unhas dela.

Ao chegarem no salão, cumprimentaram Léo, que estava saindo para almoço. Daniela estava no sofá, lendo uma velha edição da Revista Contigo. Luísa desvencilhou-se da mão da irmã e foi correndo abraçar a mãe.

- Mãe! Te amo!

- Também te amo, filha. Como foi na creche?

- Bom! A gente olhou o Chaves! A tia levou um DVD com um monte de episódio!

- Uau! Por isto que tu não chorou?

- Não, mas porque a mana falou que, se eu não chorasse, a mãe ia pintar a minha unha.

Dani não pode deixar de sorrir, abraçar e beijar a caçula. Em seu depoimento à polícia na tarde seguinte, Léo descreveria esta cena.

- E então, Amanda. [perguntou Dani] Já escolheu a cor?

- Já, mãe. Vou querer este vermelho que tu tá usando.

É impossível resistir a ele, pensou Dani. Será que aquele velho esmalte seria tendência? Será que ela o havia ressucitado para brilhar?

- Ah! Eu também! [disse Luísa] Todo mundo de vermelho, igual o Chapolin!

Dani e Amanda riram com gosto, enquanto a garota se instalava na poltrona de serviço. Novamente, quando Daniela pegou o velho frasco, uma grande e densa nuvem tapou o sol por uma fração de segundos, seguida por uma queda brusca na temperatura. O ar condicionado ainda marcava amenos 25°, e Dani estranhou o arrepio que sentira. Coisas da idade, concluiu, enquanto ajeitava-se para manicurar as unhas da filha.

***

Um Logan escuro com um adesivo escrito DELEGADO TOFFANI PREFEITO e placas de Porto Alegre parava no estacionamento  do Cemitério Municipal de Tramandaí, cidade vizinha a Imbé. O motorista, um atraente jovem senhor, dirigiu-se a loja de flores e velas que comodamente instalara-se onde antigamente era a Lancheria Vegas.

Todos os anos aquele homem repetia o mesmo ritual, na mesma data, há pelo menos 25 anos. Estar na reta final da campanha política onde era candidato à prefeito em Torres, cidade há duas horas de distância de Tramandaí, não iria impedir de visitar o túmulo de alguém por quem ele nutre tanto carinho, tantos bons sentimentos. Apesar de já ser casado há duas décadas, certas paixões nem a morte consegue fazer esquecer.

- Pai? [uma voz o chamava na entrada do cemitério]

- Sim, Elisa.

- Posso ir contigo? Não quero esperar no carro. E cemitérios me dão medo... [disse Elisa, com um sorriso trêmulo, enquanto roía as unhas curtas, vício hereditário do qual ele não se orgulhava]

Eduardo sorriu. Elisa já tinha 14 anos, dois anos a menos do que a garota que ele visitava teria eternamente. Não haveria como elas se parecerem, mas ele achava que, de certa forma, tinham alguma semelhança na parte da ingenuidade.


- Claro. Não vamos demorar, filha.


Fim da terceira parte. Uma ótima manhã, tarde, noite, madrugada, aonde for que você estiver, um ótimo dia, fiquem ligados para a quarta parte!

*EXCLUSIVO CREEPYPASTA PURO / POR WAGNER DE LA CRUZ*

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Nota de Luto - Chapecoense Futebol Clube

Olá, uma boa noite que não vem sendo tão boa para vocês leitores.

Infelizmente, como vocês podem ou não ter ficado sabendo, o time Chapecoense Futebol Clube estava a caminho da Colômbia para disputar a final da Copa Sul-Americana, porém, a 1h15min do dia de hoje (29/11), o avião perdeu contato com a torre de controle e caiu logo em seguida.

Nesta tragédia, havia 81 pessoas a bordo, da qual morreram 76 pessoas e sobreviveram 5.
Isto é a maior tragédia do esporte, nunca havia morrido tanta pessoa assim em casos parecidos, como Manchester United (1958) e Torino (1949).

Mas enfim, não venho aqui para noticiar e para falar de números, venho aqui para expressar minha tristeza, que não tem tamanho, e talvez não só a minha tristeza, como a tristeza do mundo, pois este fato comoveu muita gente, e isso tocou meu coração.

Morreram jogadores, jornalistas, comissão técnica, mas enfim, como será que a família dessas pessoas devem estar sentindo?

Então, estarei declarando luto aqui no blog, encerrando as atividades do blog por três dias, até porque o clima não está muito favorável para se ler sobre Creepypastas.

Estarei fazendo isso como um ato de respeito, até porque eu conhecia algumas pessoas do clube, e isto me comoveu muito, mas muito mesmo, então, este é o motivo.

Este desastre tocou o mundo, nada mais justo do que ficarmos de LUTO e orarmos pelos nossos jogadores.

"Prefiro acreditar que Jesus precisou de jogadores para uma partida amistosa no céu", - Anonimo.
#ForçaChape.

domingo, 27 de novembro de 2016

Creepypasta dos Fãs - Nail's Art (Parte 2)

Olá novamente, postando aqui a segunda parte desta épica série. Se você não leu a primeira parte, por favor, CLIQUE AQUI.
Vamos para a Creepypasta!

                 Nail's Art (Parte 2) por Wagner De La Cruz


A chuva amenizara na tarde em Imbé. O Beautiful & Chic localizava-se na área nobre do município, na avenida principal, rodeado por lojas e comércios. Beth inaugurou o salão no início de 2008. E agora, oito anos depois, já era um dos mais conceituados da pequena cidade gaúcha.

Daniela morava em Imbé há pouco mais de dois anos, vivia com suas duas filhas em Santa Terezinha, bairro de classe média no extremo norte da cidade. Seu falecido marido, Roberto Ciechoski, era professor de história em Porto Alegre. Quando Roberto morreu, quase três anos atrás, vítima de um enfarto fulminante enquanto dava aula, Daniela ficou arrasada. Amava demais o marido, estavam juntos desde que tinham 14 anos. Sua filha mais nova, Luísa, tinha menos de dois meses. Viúva, com duas crianças pequenas para criar, e sem o homem de sua vida! O cenário não poderia ser pior para Daniela.

Após crises de depressão, apatia e sucessivas idas a psicólogos, Dani decidiu mudar-se para o litoral norte. Em Imbé poderia iniciar uma nova vida e, com o tempo, aprender a conviver com a dor. Porto Alegre lhe fazia mal, tinha muitas lembranças, e precisava de novos ares para superar a perda. Mais do que isto: precisava ser forte, já que agora tudo que as meninas tinham era ela! Assim, juntou suas economias, vendeu sua casa na capital e partiu rumo à praia.

Apesar de receber uma pensão de seu falecido marido, o dinheiro não era suficiente para proporcionar a ela e às filhas uma vida suficientemente confortável. Sendo assim, Dani voltou a exercer a profissão que tinha antes de casar-se: manicure e pedicure. Era um verdadeiro dom, tinha noção disto. Ninguém que conhecia era mais hábil.

Após dois meses atendendo em sua casa e esporadicamente à domicílio sem ter um retorno satisfatório (a população de Imbé era de apenas 15 mil habitantes), Dani resolveu tentar um emprego em algum salão de beleza. Amanda já tinha 13 anos, e poderia cuidar de Luísa a tarde, quando retornasse da escola e pegasse a irmã na creche.

Sua primeira tentativa foi exatamente no Beautiful & Chic. Quando Beth pôs os olhos nas unhas decoradas de Dani achou que eram decalques, tal a perfeição na arte. Ao descobrir que era pura técnica, Beth não deixou Dani sair do salão sem a garantia de que a manicure faria parte do seu quadro de funcionários.
Agora, dois anos depois, os problemas de Dani pareciam algo distantes. Aos 33 anos, bem empregada e gozando de ótima reputação, sentia-se feliz. Roberto sempre lhe fará falta, obviamente. Foram dezesseis  anos de casamento. Mas já lidava bem com isto, e transferira todo o seu amor para suas meninas. Eram sua vida e motivação.

- Mais alguma coisa? [perguntava-lhe a atendente da Lancheria Shallom]

- Pode me trazer também uma lata de Coca-Cola.

Enquanto aguardava o xis salada com refrigerante, Dani resolveu ligar para Amanda. Já eram 13:45, geralmente ligava para a filha quinze minutos antes disso.

No segundo toque alguém atendeu, e uma  voz de choro do outro lado da linha fez Daniela afastar o celular do ouvido.

***

O telefone do Beautiful & Chic tocou no exato instante que Leonardo, um dos cabeleireiros, chegava. Com um aceno de cabeça cumprimentou Beth, que distraidamente lia o Diário Imbeense, acompanhando o desenrolar da campanha política que só terminaria em dois meses.

- Beautiful & Chic, boa tarde! [Falou Leonardo, com sua voz afetada característica]

- Oi Léo, é a Janaína.

Janaína Dias, primeira-dama da cidade, uma das clientes fixas do salão. Beth não nutria grande simpatia nem por ela nem pelo marido. Não tornava isto público, evidentemente, mas também não se importaria se o atual prefeito fosse derrotado nas urnas em outubro.

- Faaaala, guria! [prosseguiu Léo] O que é que manda?!

- Amanhã vou querer um tratamento completo, ok? Cabelo, sobrancelhas, depilação, unhas... tudo que tiver direito! Tem como marcar?

- "Tem como marcar?"? Menina, aqui você maaanda! Claro que tem! Que horas vai querer?

- Pode ser umas nove da manhã? Pedro e eu vamos à Brasília e...

- Marcadinho, amiga! Te aguardamos amanhã então.

- Certo. Obrigada Léo. Você é um amor!

Dindim torna as pessoas tão amorosas, pensou Léo. Despediu-se e, após anotar na agenda os horários para Janaína, serviu-se de um café. Sem açúcar e quase escaldante, como ele gostava.

- E a Dani? [perguntou o rapaz à Beth]

Beth recapitulou o que  Daniela lhe contara. A cada evento estranho Léo, um notório medroso, levava as mãos à boca, exclamando um AI! meio assustado meio afeminado.

***

- O que está acontecendo, Amanda?! [falava Daniela ao celular]

- Tiraram o Chaves! [disse a filha, enquanto o berreiro seguia ao fundo, na linha, como uma música incidental]

- Ãhn?! [Dani pegou-se confusa]

- Assim, o SBT tirou o Chaves para botar um jornal que ninguém olha. E agora a Luísa quer ver o Chaves e não pára de chorar!

- ...

- Mãe?

- Sim, filha.

- O quê que eu faço?!

- Ai, Amanda. Não sei. Por que você não brinca um pouco com ela? Já, já ela esquece e...

- Já tentei! Ela só quer ver o Chaves, mãe!

Daniela respirou fundo. Não gostava de ver a filha chorando. Queria poder fazer todas as vontades das garotas, mesmo quando não dependia dela, como era o caso. Não poderia obrigar o SBT a passar o maldito Chaves.

Então, lembrou que tinha ganho um dinheiro a mais pelo último trabalho, e sugeriu à Amanda que fosse com Luísa até a locadora do centro do bairro, há dez minutos de casa, e alugasse em sua ficha um DVD do Chaves. A diária não era muito barata, dava quase duas passagens de ônibus, mas  faria isto pela sua caçula. À noite, explicaria para ela que Chaves agora só teria aos fins de semana. Mas, por ora, resolveria assim a situação.

Quando o lanche chegou, cinco minutos mais tarde, Dani despediu-se da filha, e recomendou que se cuidasse, como fazia todos os dias. Mal deu a primeira mordida no cheeseburguer e seu celular novamente vibrou. Era um Whatsapp. Léo estava avisando do serviço marcado para o outro dia.

OK. Digitou e enviou.

E pôs-se a comer rapidamente. Estava com muita fome. E o lanche dalí era delicioso! Dani parecia comer como se fosse o último xis que poderia degustar.

Se pensasse realmente isto, não estaria tão errada.

***

O restante do dia foi um tanto tedioso. Apenas duas clientes, ambas depilação para Beth, foram ao Beautiful & Chic. A maior parte do tempo Dani e Léo falaram sobre alimentação, como quase todos os dias. Ele, esguio e rato de academia, era um perfeito natureba. Não comia nada que pudesse, em suas palavras, "prejudicar o corpinho". Já Daniela, mais para Melissa McCarthy do que para Gisele Bündchen, era totalmente avessa a dietas. Gostava de comer aquilo que tinha vontade e pronto.

A tarde se arrastava lentamente. Já não chovia, mas o vento que soprava era gelado e desmotivava qualquer pessoa a sair de casa. Eram 18:25 quando Dani se dirigiu ao ponto de ônibus. Pelos seus cálculos não esperaria mais do que dez minutos até o Expresso Boto passar, mas, infelizmente, o relógio do motorista não estava alinhado ao seu, de modo que só embarcou às 18:48.

Chegou em casa já passava das sete e meia da noite. Amanda havia preparado uma macarronada de carne moída e aguardava a mãe assistindo ao Atualidades Pampa, um velho hábito que a garota involuntariamente herdou do pai. Sempre antenada com os assuntos mais relevantes.

Luísa já estava dormindo. Era muito raro Daniela encontrar a filha ainda desperta quando chegava do serviço, mas nunca deixara de dar-lhe um beijo de boa noite e  passar o início da manhã com a garota. Como já dito, não queria que lhes faltasse nada, principalmente amor.

Após o jantar, lavou a louça enquanto ouvia a Rádio Gaúcha, hábito que ela mesma adquirira do marido. Mal prestava atenção às notícias, mas era algo que a fazia sentir como se Roberto estivesse alí.

Quando Amanda foi deitar-se, lá pelas 22 horas, Daniela foi tomar um banho quente. Deu-se ao luxo de demorar 25 minutos sob a ducha, e, ao sair, tomou um copo de leite quente, para ajudá-la a adentrar no mundo dos sonhos. Teria um grande dia pela frente.


Fim da segunda parte, meus amigos. Uma ótima noite para vocês.

*EXCLUSIVO CREEPYPASTA PURO / POR WAGNER DE LA CRUZ*

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Creepypasta dos Fãs *E NOVA SÉRIE* - Nail's Art (Parte 1)

Olá queridos fãs e visitantes do blog, venho anunciar neste momento uma nova série genial, criada pelo único e estupendo, Wagner De La Cruz! Sim, Wagner irá mais uma ver mexer com a sua cabeça com o seu novo conto do gênero Supense/Drama. Segue a sua sinopse:

Elogiadíssima em sua profissão, a manicure Daniela é uma verdadeira guerreira.

Viúva e mãe de duas filhas, Dani, como é conhecida, mora no pacato município de Imbé, uma das mais belas praias do sul, onde trabalha num dos salões de beleza mais conceituados da região.

Ela não sabe, mas, ao passar a utilizar um esmalte fora de linha esquecido em seu acervo, e que inacreditavelmente torna-se tendência entre suas clientes, irá alterar o destino de toda uma cidade, atraindo uma onda rubra de medo, dor e violência para o coração do litoral.

Autor de "Contos do De La Cruz", "A Defensora" e "Horror na Escola", Wagner De La Cruz presenteia seus leitores com a sua novela mais perturbadora.

Nail's Art (Parte 1) por Wagner De La Cruz

Daniela assustou-se ao voltar da pequena cozinha do salão de beleza onde trabalhava.  Eram 12:34, e, até onde lembrava-se, havia fechado a porta da frente. Devia ter se confundido, já que, ao regressar ao hall de entrada, havia uma cliente lhe esperando.

A manicure nunca tinha visto aquela senhora, nem lembrava de ter agendado algum serviço para o horário do almoço. Clientes ao meio-dia eram muito raras, ainda mais em uma terça-feira fria e chuvosa de agosto. Sua patroa, Beth Rossner, havia saído há menos de dez minutos e também nada lhe dissera.

- Bom dia, digo, boa tarde senhora... Pois não? [Disse Dani, colocando seu prato fumegante de miojo feito no microoondas sobre a bancada da recepção]

- Olá. Eu gostaria de um serviço completo de manicure. É possível?

A cliente tinha uma voz arrastada, mas decidida. Algo em seu olhar pareceu cativar Dani. A mulher beirava os cinquenta anos, tinha a pele muito branca e usava uma maquiagem um pouco exagerada, mas bem feita. Ao falar, esboçava um sorriso discreto e insinuante, que se emoldurava bem em combinação com os longos cabelos lisos, o rosto comprido e nariz adunco.

Um trovão ribombou ao longe enquanto a cliente aguardava a resposta. Dani sorriu um pouco insegura:

- Claro! Não tenho ninguém marcado até as 15 horas. Só um momento [Dani respondeu e, com o prato de comida, dirigiu-se rapidamente de volta à cozinha]

- Que ótimo! Você é a Daniela né?

Outro trovão.

Ainda mais surpresa com aquela situação atípica, Dani voltou lentamente até o hall, carregando sua maleta de ferro com os utensílios de serviço.

- S-sim... C-como sabe meu... como sabe meu nome?!

A cliente mexia em sua pequena bolsa de couro negra, que parecia ser adereço do vestido que utilizava, e se voltou sorrindo para Dani, mostrando-lhe um pequeno panfleto rosa que acabara de tirar.

- É o que diz aqui, no anúncio do salão...

O folder dizia ESPAÇO BEAUTIFUL & CHIC - SALÃO DE BELEZA, com informações e gravuras dos serviços do local, e, bem no rodapé, os números de telefone e WhatsApp ao lado dos nomes das responsáveis pelos trabalhos, incluindo Dani.

A manicure sentiu o rosto arder e corar. Que gafe! E era uma cliente nova! Devia achá-la maluca...

- Perdão, senhora...

- Jéssica. Jéssica Dumore.

-  Bem, me perdoe, dona Jéssica, é que fizemos os folders há pouco tempo, não me acostumei ainda e...

- Tudo bem [disse Jéssica, simpática], não se incomode com isto. Mas gostaria que começasse o quanto antes, ok? [desta vez, mais rompante]

- Sim senhora. A senhora já escolheu o esmalt

- Sim! [cortou a cliente] Aquele vermelho, o primeiro da segunda prateleira.

Dani virou-se para as enormes prateleiras de esmaltes. Havia pelo menos duas centenas de vidros, com absolutamente todas as cores e uma infinidade de marcas. O que Jéssica indicou era de um vermelho escarlate, encorpado, com um frasco único e com o rótulo apagado. Ao pegá-lo, Dani não se lembrou dele. Parecia um produto artesanal. Tinha certeza que o modelo do recipiente e o formato do pincel estavam fora de linha há muito tempo. Será que já não estaria seco?

Enquanto colocava a água para ferver na jarra elétrica, Dani abriu o frasco. Incrivelmente o pincel estava úmido, e não havia o menor sinal de crostas. Era como se o velho esmalte nunca tivesse sido aberto. O cheiro do produto era forte, acre, mas a cor... ah! A cor era belíssima! Um vermelho vivo, pungente, parecia capaz de hipnotizar. Por quê nunca ninguém o havia escolhido? Estava no salão há quase dois anos e não entendia como não o utilizara antes. Vou oferecê-lo a todas as clientes daqui por diante, pensou. Ante o pensamento da manicure, Jéssica sorriu na poltrona.


***


A chuva tornou-se mais forte e os relâmpagos mais constantes enquanto Dani manicurava. A temperatura pareceu diminuir drásticamente, mesmo para a época. Jéssica não era exatamente uma cliente 'falante', de modo que, após duas ou três tentativas de puxar assunto retribuídas com falas monossilábicas, Dani desistira de qualquer interação.

Na verdade, a manicure sentiu-se um pouco intimidada durante a execução do trabalho. Jéssica Dumore parecia ter os olhos fixos em Dani, como se avaliasse algo mais do que seu desempenho profissional.

Por fim, as unhas ficaram prontas. Mais uma vez, Dani ficara orgulhosa de seu êxito. Era, de fato, excelente naquilo que fazia. Um sorriso tão enigmático quanto o de uma Monalisa moderna surgiu nos lábios de Jéssica quando examinou o serviço.

- Perfeito! [disse Dumore, com a voz ronronante de Kathleen Turner] Quanto lhe devo?

- Obrigado. [Dani sentiu-se encabulada] São quinze re...

"I've had, the time of my live...", a música tema de Dirty Dancing começou a tocar. Era o toque do celular de Dani. Ela havia deixado o aparelho sobre a pia quando preparava o almoço. Pela hora, talvez fosse Amanda, sua filha mais velha. Sempre ligava por volta das duas da tarde. Pedindo licença para Jéssica, dirigiu-se rapidamente à pequena cozinha.

O telefone parou de tocar quando Daniela foi atender. O visor mostrava <NÚM. RESTRITO>. Deve ser alguma empresa de cartão, pensou a manicure, enquanto regressava para o local de trabalho.

- São quin...

Novamente não terminara a frase. Jéssica Dumore havia desaparecido! Impossível, pensou Dani, ela estava aqui há vinte segundos!

Sobre a mesa de serviço estava uma nota de R$50,00, dobrada abaixo do vidro do esmalte escolhido. Ao lado, um cartão de visita com os dizeres JÉSSICA DUMORE em letras estilizadas, com um número de telefone com o DDD 92 em relevo, margeado por tribais de cor dourada.

Intrigada, Dani tentava imaginar o quê afinal de contas fazia sua nova cliente, já que o cartão que agora segurava nada especificava, quando uma mão repousou sobre seu ombro esquerdo. Dani gritou, girando nos calcanhares, encontrando o rosto surpreso de Beth Rossner.

A manicure perdeu e equilibrio e Beth precisou segurá-la e ajudá-la a se sentar.

- Meu Deus, Dani! O que houve, criatura?! Você está tão pálida!

Dani lhe contou, sentindo-se tola e levemente irritada quando Beth finalmente riu do susto involuntário que causou.

- Calma, amiga. [Beth falou] Ela devia estar com muita pressa, você mesma disse que ela queria um serviço rápido.

- Mas... você não a viu quando chegou?

- Não, mas ela pode ter saído por outro lado. E também, posso ter visto e nem notado.

- Sim, mas,.. Ai, sei lá!

Beth riu novamente da confusão de Dani. Desta vez, tendo companhia da mesma.

- Olha [disse Beth], vai almoçar, amiga. Sei que tá com fome. Pode até ir na lancheria alí da frente, hoje tá bem tranquilo.

- Tem certeza?

- Claro! Você merece, depois de hoje!

E novamente riram. Dani, ainda nervosa, mas um pouco mais calma, levantou-se e foi pegar sua bolsa. Beth, distraidamente, guardou a chave que usara para entrar e foi preparar um café para as possíveis clientes.

Então esta é a primeira parte de um longo conto cheio de surpresas e mistérios, espero que tenham gostado, obrigado pela atenção de vocês, e lá vamos nós, aos poucos, mas estamos nos reerguendo.

*EXCLUSIVO CREEPYPASTA PURO / POR WAGNER DE LA CRUZ*

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