terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Creepypasta dos Fãs - Nail's Art (Parte 3)

Pois é pessoal, estive nos dias anteriores meio pra cá, meio pra lá... Já começo pedindo desculpas pela demora da parte três desta incrível obra, ando meio louco da cabeça (se é que me entendem) ultimamente, então me perdoem se vocês passarem os olhos por alguma bobagem. Alguns problemas pessoais que me trazem estresse e essa cicatriz no mundo que persiste até agora, não sei se posso considerar esses dias de ausência em postagens como um luto, mas eu irei.

Enfim, a vida continua, vamos ao que interessa. Peço a compreensão de vocês.

 CLIQUE AQUI para a primeira parte da série. Ou aqui para a segunda.


                   Nail's Art (Parte 3) por Wagner De La Cruz


Pela manhã, como de praxe, Dani acordou antes do despertador tocar para preparar o café das garotas. Ainda que não tivessem a convivência adequada à noite, nas primeiras horas do dia, à mesa, eram uma família digna de comercial de margarina, tão unidas e felizes quanto pudessem ser.

Apesar de Luísa choramingar pelo término do Chaves, Daniela conseguiu contornar este problema e, aparentemente, evitou o início da terceira guerra mundial. Ficou combinado que a caçula ganharia um presente no fim de semana caso se comportasse e não chorasse mais. Evidentemente, a mãe nem sabia qual presente daria à filha, mas não queria iniciar o dia se indispondo.

Antes de Amanda sair para levar Luísa na creche e ir para a escola, Dani lhe deu dez reais para pagar a diária do DVD, além de fazer as recomendações que repetia diariamente e que Amanda, em piloto automático, apenas assentia.

Por fim, depois que as filhas saíram, Daniela aprontou-se rapidamente e também saiu. Não era do tipo que se atrasava, principalmente quando tinha cliente pela manhã. Também não era muito fã da primeira-dama, a achava fútil e prepotente, tal qual o prefeito, mas serviço era serviço. Não faria juízo de caráter.

Irônicamente, o ônibus em que Daniela estava precisou pegar uma desvio em Mariluz, bairro centro-norte de Imbé, devido a um bandeiraço matutino em prol da candidatura à reeleição de Pedro Dias. O caminho pela RS-786 iria atrasar a chegada de Dani em pelo menos vinte minutos.

- Que droga! [pensou em voz alta] Quem faz bandeiraço numa QUARTA às 8:45?!

***

- Boa tarde! [disse Janaína, de forma debochada, quando Daniela chegou ao salão, às 9:25]

Daniela devolveu o cumprimento apenas com um aceno e um sorriso, elementos que seus amigos sabiam ser algo quase cínico, mas que para a primeira-dama soaria como um pedido de desculpas.

Quando Janaína chegou, pontualmente às nove horas, Leonardo já tratou de começar os trabalhos nos cabelos da cliente. Também não tinha muita afeição pela mulher, mas estava interessado é no pagamento que receberia, sobre tudo nas gorgetas. Beth chegou a se oferecer para fazer as unhas, mas, como não tinha o nível artístico de Dani, fora rejeitada.

- E então, dona Janaína, qual cor vai querer? [perguntou Daniela, simpatissíssima para quem não a conhecia]

- Ah, pode ser aquele vermelho que fiz a última vez... [dizia Janaína, quando Léo fez uma pausa para que pudesse escolher o esmalte certo. Então, os olhos da mulher se fixaram em um vidro específico] Não! Eu quero AQUELE vermelho!

O vidro que Janaína fitava com olhar fascinante era o mesmo que encantara a própria manicure no dia anterior. Aquele tom de vermelho se sobressaia aos demais, tal era sua beleza. Ao pegar o vidro para iniciar o serviço, Dani podia jurar que o mesmo estava aquecido pela intensidade e força do esmalte colorido. Bonito demais para esta vaca, pensou.

O dia estava com céu de brigadeiro. Depois da tempestade sempre vem a bonança, dizia o velho ditado. Seria uma tarde que daria praia, pensava a manicure. Enquanto trabalhava, Dani refugiou-se nela mesma, ignorando o papo furado da mulher do prefeito, imaginando-se à beira-mar com as filhas, promessa que fizera e adiara inúmeras vezes no último verão, e respondendo com monossílabas esporadicamente. Se estivesse um dia cinzento, imaginaria-se em uma tarde em casa, com Amanda e Luísa, vendo um DVD (poderia até ser o do Chaves!) e comendo pipoca. Afinal, qualquer refúgio interno era melhor do que ouvir conscientemente a falação fútil e desenfreada de Janaína.

De fato, a cliente era apenas uma esposa troféu. Só acompanhava o marido em viagens para servir de adorno, e não se importava com isto. Tampouco dava sinais de se incomodar com os falatórios sobre a diferença de idade de vinte e sete anos entre eles. Sua vida era ter um cartão de crédito com um belo limite, visitar locais chiques, ter as melhores roupas, frequentar os melhores hotéis e, o mais divertido, contar tudo para os menos afortunados e causar inveja.

Nem Daniela, nem Janaína perceberam quando, por menos de cinco segundos, uma nuvem passageira cobriu o sol, criando uma sombra sobre o salão que logo se dissipou. Mas ambas perceberam que a temperatura caiu uns cinco graus repentinamente, já que quase coordenadamente sentiram um arrepio na espinha dorsal.

- Léo e a mania de ligar o ar no mínimo! [disse Daniela]

O aparelho de ar condicionado localizava-se na parede atrás do cabeleireiro. E marcava exatos 25°.

***

Perto das 11 da manhã o trabalho de Dani havia sido concluído. O esmero era impressionante e louvável. As decorações em amarelo e preto sobre o esmalte vermelho, as cores do partido do atual prefeito, assentaram bem, tendo a mulher escolhido tribais indistintos e, no polegar da mão direita, um símbolo chinês que significava "fortuna".

Enquanto Léo dava os últimos retoques no penteado de Janaína, Dani foi consultar a sua agenda. Lembrava-se de ter um serviço marcado para o meio-dia, mas quis confirmar. Encontrou o nome da cliente riscado.

- Ué?! A Thaís desmarcou? [perguntara à Beth]

- Sim, ela me mandou um WhatsApp pela manhã, remarcou para sexta. Tudo bem?

- Sim, sem problema. Vou aproveitar e marcar para a Amanda. Quinta tem Feira de Ciências, aí já faço as unhas dela hoje, já que não sei que hora vou chegar em casa depois do trabalho.

As engrenagens do destino novamente funcionavam à todo vapor, e o rumo da vida de Daniela, Amanda e até da pequena Luísa seria alterado drásticamente com um punhado de palavras enviadas através de um aplicativo de mensagens eletrônicas: "Filha, vem aqui no salão a uma hora. Marquei horário para ti".

***

Sem nenhum evento político, os ônibus puderam trafegar novamente pelas rotas pré-determinadas. Eram 13:25 quando Amanda e Luísa desembarcaram no ponto mais próximo ao salão da mãe.

- Promete que deixa eu pintar as unhas também? [perguntara Luísa. A caçula era fascinada pela arte. Apesar de Amanda também gostar, Dani sabia que Luísa é quem seria sua sucessora]

- Sim. Anda, mana, senão vamos nos atrasar!

Amanda sabia o quanto a mãe era ocupada, e estava ansiosa: faria todas as amigas morrerem de inveja. Sempre ficavam roxas de ciúme cada vez que Daniela decorava as unhas dela.

Ao chegarem no salão, cumprimentaram Léo, que estava saindo para almoço. Daniela estava no sofá, lendo uma velha edição da Revista Contigo. Luísa desvencilhou-se da mão da irmã e foi correndo abraçar a mãe.

- Mãe! Te amo!

- Também te amo, filha. Como foi na creche?

- Bom! A gente olhou o Chaves! A tia levou um DVD com um monte de episódio!

- Uau! Por isto que tu não chorou?

- Não, mas porque a mana falou que, se eu não chorasse, a mãe ia pintar a minha unha.

Dani não pode deixar de sorrir, abraçar e beijar a caçula. Em seu depoimento à polícia na tarde seguinte, Léo descreveria esta cena.

- E então, Amanda. [perguntou Dani] Já escolheu a cor?

- Já, mãe. Vou querer este vermelho que tu tá usando.

É impossível resistir a ele, pensou Dani. Será que aquele velho esmalte seria tendência? Será que ela o havia ressucitado para brilhar?

- Ah! Eu também! [disse Luísa] Todo mundo de vermelho, igual o Chapolin!

Dani e Amanda riram com gosto, enquanto a garota se instalava na poltrona de serviço. Novamente, quando Daniela pegou o velho frasco, uma grande e densa nuvem tapou o sol por uma fração de segundos, seguida por uma queda brusca na temperatura. O ar condicionado ainda marcava amenos 25°, e Dani estranhou o arrepio que sentira. Coisas da idade, concluiu, enquanto ajeitava-se para manicurar as unhas da filha.

***

Um Logan escuro com um adesivo escrito DELEGADO TOFFANI PREFEITO e placas de Porto Alegre parava no estacionamento  do Cemitério Municipal de Tramandaí, cidade vizinha a Imbé. O motorista, um atraente jovem senhor, dirigiu-se a loja de flores e velas que comodamente instalara-se onde antigamente era a Lancheria Vegas.

Todos os anos aquele homem repetia o mesmo ritual, na mesma data, há pelo menos 25 anos. Estar na reta final da campanha política onde era candidato à prefeito em Torres, cidade há duas horas de distância de Tramandaí, não iria impedir de visitar o túmulo de alguém por quem ele nutre tanto carinho, tantos bons sentimentos. Apesar de já ser casado há duas décadas, certas paixões nem a morte consegue fazer esquecer.

- Pai? [uma voz o chamava na entrada do cemitério]

- Sim, Elisa.

- Posso ir contigo? Não quero esperar no carro. E cemitérios me dão medo... [disse Elisa, com um sorriso trêmulo, enquanto roía as unhas curtas, vício hereditário do qual ele não se orgulhava]

Eduardo sorriu. Elisa já tinha 14 anos, dois anos a menos do que a garota que ele visitava teria eternamente. Não haveria como elas se parecerem, mas ele achava que, de certa forma, tinham alguma semelhança na parte da ingenuidade.


- Claro. Não vamos demorar, filha.


Fim da terceira parte. Uma ótima manhã, tarde, noite, madrugada, aonde for que você estiver, um ótimo dia, fiquem ligados para a quarta parte!

*EXCLUSIVO CREEPYPASTA PURO / POR WAGNER DE LA CRUZ*

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Nota de Luto - Chapecoense Futebol Clube

Olá, uma boa noite que não vem sendo tão boa para vocês leitores.

Infelizmente, como vocês podem ou não ter ficado sabendo, o time Chapecoense Futebol Clube estava a caminho da Colômbia para disputar a final da Copa Sul-Americana, porém, a 1h15min do dia de hoje (29/11), o avião perdeu contato com a torre de controle e caiu logo em seguida.

Nesta tragédia, havia 81 pessoas a bordo, da qual morreram 76 pessoas e sobreviveram 5.
Isto é a maior tragédia do esporte, nunca havia morrido tanta pessoa assim em casos parecidos, como Manchester United (1958) e Torino (1949).

Mas enfim, não venho aqui para noticiar e para falar de números, venho aqui para expressar minha tristeza, que não tem tamanho, e talvez não só a minha tristeza, como a tristeza do mundo, pois este fato comoveu muita gente, e isso tocou meu coração.

Morreram jogadores, jornalistas, comissão técnica, mas enfim, como será que a família dessas pessoas devem estar sentindo?

Então, estarei declarando luto aqui no blog, encerrando as atividades do blog por três dias, até porque o clima não está muito favorável para se ler sobre Creepypastas.

Estarei fazendo isso como um ato de respeito, até porque eu conhecia algumas pessoas do clube, e isto me comoveu muito, mas muito mesmo, então, este é o motivo.

Este desastre tocou o mundo, nada mais justo do que ficarmos de LUTO e orarmos pelos nossos jogadores.

"Prefiro acreditar que Jesus precisou de jogadores para uma partida amistosa no céu", - Anonimo.
#ForçaChape.

domingo, 27 de novembro de 2016

Creepypasta dos Fãs - Nail's Art (Parte 2)

Olá novamente, postando aqui a segunda parte desta épica série. Se você não leu a primeira parte, por favor, CLIQUE AQUI.
Vamos para a Creepypasta!

                 Nail's Art (Parte 2) por Wagner De La Cruz


A chuva amenizara na tarde em Imbé. O Beautiful & Chic localizava-se na área nobre do município, na avenida principal, rodeado por lojas e comércios. Beth inaugurou o salão no início de 2008. E agora, oito anos depois, já era um dos mais conceituados da pequena cidade gaúcha.

Daniela morava em Imbé há pouco mais de dois anos, vivia com suas duas filhas em Santa Terezinha, bairro de classe média no extremo norte da cidade. Seu falecido marido, Roberto Ciechoski, era professor de história em Porto Alegre. Quando Roberto morreu, quase três anos atrás, vítima de um enfarto fulminante enquanto dava aula, Daniela ficou arrasada. Amava demais o marido, estavam juntos desde que tinham 14 anos. Sua filha mais nova, Luísa, tinha menos de dois meses. Viúva, com duas crianças pequenas para criar, e sem o homem de sua vida! O cenário não poderia ser pior para Daniela.

Após crises de depressão, apatia e sucessivas idas a psicólogos, Dani decidiu mudar-se para o litoral norte. Em Imbé poderia iniciar uma nova vida e, com o tempo, aprender a conviver com a dor. Porto Alegre lhe fazia mal, tinha muitas lembranças, e precisava de novos ares para superar a perda. Mais do que isto: precisava ser forte, já que agora tudo que as meninas tinham era ela! Assim, juntou suas economias, vendeu sua casa na capital e partiu rumo à praia.

Apesar de receber uma pensão de seu falecido marido, o dinheiro não era suficiente para proporcionar a ela e às filhas uma vida suficientemente confortável. Sendo assim, Dani voltou a exercer a profissão que tinha antes de casar-se: manicure e pedicure. Era um verdadeiro dom, tinha noção disto. Ninguém que conhecia era mais hábil.

Após dois meses atendendo em sua casa e esporadicamente à domicílio sem ter um retorno satisfatório (a população de Imbé era de apenas 15 mil habitantes), Dani resolveu tentar um emprego em algum salão de beleza. Amanda já tinha 13 anos, e poderia cuidar de Luísa a tarde, quando retornasse da escola e pegasse a irmã na creche.

Sua primeira tentativa foi exatamente no Beautiful & Chic. Quando Beth pôs os olhos nas unhas decoradas de Dani achou que eram decalques, tal a perfeição na arte. Ao descobrir que era pura técnica, Beth não deixou Dani sair do salão sem a garantia de que a manicure faria parte do seu quadro de funcionários.
Agora, dois anos depois, os problemas de Dani pareciam algo distantes. Aos 33 anos, bem empregada e gozando de ótima reputação, sentia-se feliz. Roberto sempre lhe fará falta, obviamente. Foram dezesseis  anos de casamento. Mas já lidava bem com isto, e transferira todo o seu amor para suas meninas. Eram sua vida e motivação.

- Mais alguma coisa? [perguntava-lhe a atendente da Lancheria Shallom]

- Pode me trazer também uma lata de Coca-Cola.

Enquanto aguardava o xis salada com refrigerante, Dani resolveu ligar para Amanda. Já eram 13:45, geralmente ligava para a filha quinze minutos antes disso.

No segundo toque alguém atendeu, e uma  voz de choro do outro lado da linha fez Daniela afastar o celular do ouvido.

***

O telefone do Beautiful & Chic tocou no exato instante que Leonardo, um dos cabeleireiros, chegava. Com um aceno de cabeça cumprimentou Beth, que distraidamente lia o Diário Imbeense, acompanhando o desenrolar da campanha política que só terminaria em dois meses.

- Beautiful & Chic, boa tarde! [Falou Leonardo, com sua voz afetada característica]

- Oi Léo, é a Janaína.

Janaína Dias, primeira-dama da cidade, uma das clientes fixas do salão. Beth não nutria grande simpatia nem por ela nem pelo marido. Não tornava isto público, evidentemente, mas também não se importaria se o atual prefeito fosse derrotado nas urnas em outubro.

- Faaaala, guria! [prosseguiu Léo] O que é que manda?!

- Amanhã vou querer um tratamento completo, ok? Cabelo, sobrancelhas, depilação, unhas... tudo que tiver direito! Tem como marcar?

- "Tem como marcar?"? Menina, aqui você maaanda! Claro que tem! Que horas vai querer?

- Pode ser umas nove da manhã? Pedro e eu vamos à Brasília e...

- Marcadinho, amiga! Te aguardamos amanhã então.

- Certo. Obrigada Léo. Você é um amor!

Dindim torna as pessoas tão amorosas, pensou Léo. Despediu-se e, após anotar na agenda os horários para Janaína, serviu-se de um café. Sem açúcar e quase escaldante, como ele gostava.

- E a Dani? [perguntou o rapaz à Beth]

Beth recapitulou o que  Daniela lhe contara. A cada evento estranho Léo, um notório medroso, levava as mãos à boca, exclamando um AI! meio assustado meio afeminado.

***

- O que está acontecendo, Amanda?! [falava Daniela ao celular]

- Tiraram o Chaves! [disse a filha, enquanto o berreiro seguia ao fundo, na linha, como uma música incidental]

- Ãhn?! [Dani pegou-se confusa]

- Assim, o SBT tirou o Chaves para botar um jornal que ninguém olha. E agora a Luísa quer ver o Chaves e não pára de chorar!

- ...

- Mãe?

- Sim, filha.

- O quê que eu faço?!

- Ai, Amanda. Não sei. Por que você não brinca um pouco com ela? Já, já ela esquece e...

- Já tentei! Ela só quer ver o Chaves, mãe!

Daniela respirou fundo. Não gostava de ver a filha chorando. Queria poder fazer todas as vontades das garotas, mesmo quando não dependia dela, como era o caso. Não poderia obrigar o SBT a passar o maldito Chaves.

Então, lembrou que tinha ganho um dinheiro a mais pelo último trabalho, e sugeriu à Amanda que fosse com Luísa até a locadora do centro do bairro, há dez minutos de casa, e alugasse em sua ficha um DVD do Chaves. A diária não era muito barata, dava quase duas passagens de ônibus, mas  faria isto pela sua caçula. À noite, explicaria para ela que Chaves agora só teria aos fins de semana. Mas, por ora, resolveria assim a situação.

Quando o lanche chegou, cinco minutos mais tarde, Dani despediu-se da filha, e recomendou que se cuidasse, como fazia todos os dias. Mal deu a primeira mordida no cheeseburguer e seu celular novamente vibrou. Era um Whatsapp. Léo estava avisando do serviço marcado para o outro dia.

OK. Digitou e enviou.

E pôs-se a comer rapidamente. Estava com muita fome. E o lanche dalí era delicioso! Dani parecia comer como se fosse o último xis que poderia degustar.

Se pensasse realmente isto, não estaria tão errada.

***

O restante do dia foi um tanto tedioso. Apenas duas clientes, ambas depilação para Beth, foram ao Beautiful & Chic. A maior parte do tempo Dani e Léo falaram sobre alimentação, como quase todos os dias. Ele, esguio e rato de academia, era um perfeito natureba. Não comia nada que pudesse, em suas palavras, "prejudicar o corpinho". Já Daniela, mais para Melissa McCarthy do que para Gisele Bündchen, era totalmente avessa a dietas. Gostava de comer aquilo que tinha vontade e pronto.

A tarde se arrastava lentamente. Já não chovia, mas o vento que soprava era gelado e desmotivava qualquer pessoa a sair de casa. Eram 18:25 quando Dani se dirigiu ao ponto de ônibus. Pelos seus cálculos não esperaria mais do que dez minutos até o Expresso Boto passar, mas, infelizmente, o relógio do motorista não estava alinhado ao seu, de modo que só embarcou às 18:48.

Chegou em casa já passava das sete e meia da noite. Amanda havia preparado uma macarronada de carne moída e aguardava a mãe assistindo ao Atualidades Pampa, um velho hábito que a garota involuntariamente herdou do pai. Sempre antenada com os assuntos mais relevantes.

Luísa já estava dormindo. Era muito raro Daniela encontrar a filha ainda desperta quando chegava do serviço, mas nunca deixara de dar-lhe um beijo de boa noite e  passar o início da manhã com a garota. Como já dito, não queria que lhes faltasse nada, principalmente amor.

Após o jantar, lavou a louça enquanto ouvia a Rádio Gaúcha, hábito que ela mesma adquirira do marido. Mal prestava atenção às notícias, mas era algo que a fazia sentir como se Roberto estivesse alí.

Quando Amanda foi deitar-se, lá pelas 22 horas, Daniela foi tomar um banho quente. Deu-se ao luxo de demorar 25 minutos sob a ducha, e, ao sair, tomou um copo de leite quente, para ajudá-la a adentrar no mundo dos sonhos. Teria um grande dia pela frente.


Fim da segunda parte, meus amigos. Uma ótima noite para vocês.

*EXCLUSIVO CREEPYPASTA PURO / POR WAGNER DE LA CRUZ*

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Creepypasta dos Fãs *E NOVA SÉRIE* - Nail's Art (Parte 1)

Olá queridos fãs e visitantes do blog, venho anunciar neste momento uma nova série genial, criada pelo único e estupendo, Wagner De La Cruz! Sim, Wagner irá mais uma ver mexer com a sua cabeça com o seu novo conto do gênero Supense/Drama. Segue a sua sinopse:

Elogiadíssima em sua profissão, a manicure Daniela é uma verdadeira guerreira.

Viúva e mãe de duas filhas, Dani, como é conhecida, mora no pacato município de Imbé, uma das mais belas praias do sul, onde trabalha num dos salões de beleza mais conceituados da região.

Ela não sabe, mas, ao passar a utilizar um esmalte fora de linha esquecido em seu acervo, e que inacreditavelmente torna-se tendência entre suas clientes, irá alterar o destino de toda uma cidade, atraindo uma onda rubra de medo, dor e violência para o coração do litoral.

Autor de "Contos do De La Cruz", "A Defensora" e "Horror na Escola", Wagner De La Cruz presenteia seus leitores com a sua novela mais perturbadora.

Nail's Art (Parte 1) por Wagner De La Cruz

Daniela assustou-se ao voltar da pequena cozinha do salão de beleza onde trabalhava.  Eram 12:34, e, até onde lembrava-se, havia fechado a porta da frente. Devia ter se confundido, já que, ao regressar ao hall de entrada, havia uma cliente lhe esperando.

A manicure nunca tinha visto aquela senhora, nem lembrava de ter agendado algum serviço para o horário do almoço. Clientes ao meio-dia eram muito raras, ainda mais em uma terça-feira fria e chuvosa de agosto. Sua patroa, Beth Rossner, havia saído há menos de dez minutos e também nada lhe dissera.

- Bom dia, digo, boa tarde senhora... Pois não? [Disse Dani, colocando seu prato fumegante de miojo feito no microoondas sobre a bancada da recepção]

- Olá. Eu gostaria de um serviço completo de manicure. É possível?

A cliente tinha uma voz arrastada, mas decidida. Algo em seu olhar pareceu cativar Dani. A mulher beirava os cinquenta anos, tinha a pele muito branca e usava uma maquiagem um pouco exagerada, mas bem feita. Ao falar, esboçava um sorriso discreto e insinuante, que se emoldurava bem em combinação com os longos cabelos lisos, o rosto comprido e nariz adunco.

Um trovão ribombou ao longe enquanto a cliente aguardava a resposta. Dani sorriu um pouco insegura:

- Claro! Não tenho ninguém marcado até as 15 horas. Só um momento [Dani respondeu e, com o prato de comida, dirigiu-se rapidamente de volta à cozinha]

- Que ótimo! Você é a Daniela né?

Outro trovão.

Ainda mais surpresa com aquela situação atípica, Dani voltou lentamente até o hall, carregando sua maleta de ferro com os utensílios de serviço.

- S-sim... C-como sabe meu... como sabe meu nome?!

A cliente mexia em sua pequena bolsa de couro negra, que parecia ser adereço do vestido que utilizava, e se voltou sorrindo para Dani, mostrando-lhe um pequeno panfleto rosa que acabara de tirar.

- É o que diz aqui, no anúncio do salão...

O folder dizia ESPAÇO BEAUTIFUL & CHIC - SALÃO DE BELEZA, com informações e gravuras dos serviços do local, e, bem no rodapé, os números de telefone e WhatsApp ao lado dos nomes das responsáveis pelos trabalhos, incluindo Dani.

A manicure sentiu o rosto arder e corar. Que gafe! E era uma cliente nova! Devia achá-la maluca...

- Perdão, senhora...

- Jéssica. Jéssica Dumore.

-  Bem, me perdoe, dona Jéssica, é que fizemos os folders há pouco tempo, não me acostumei ainda e...

- Tudo bem [disse Jéssica, simpática], não se incomode com isto. Mas gostaria que começasse o quanto antes, ok? [desta vez, mais rompante]

- Sim senhora. A senhora já escolheu o esmalt

- Sim! [cortou a cliente] Aquele vermelho, o primeiro da segunda prateleira.

Dani virou-se para as enormes prateleiras de esmaltes. Havia pelo menos duas centenas de vidros, com absolutamente todas as cores e uma infinidade de marcas. O que Jéssica indicou era de um vermelho escarlate, encorpado, com um frasco único e com o rótulo apagado. Ao pegá-lo, Dani não se lembrou dele. Parecia um produto artesanal. Tinha certeza que o modelo do recipiente e o formato do pincel estavam fora de linha há muito tempo. Será que já não estaria seco?

Enquanto colocava a água para ferver na jarra elétrica, Dani abriu o frasco. Incrivelmente o pincel estava úmido, e não havia o menor sinal de crostas. Era como se o velho esmalte nunca tivesse sido aberto. O cheiro do produto era forte, acre, mas a cor... ah! A cor era belíssima! Um vermelho vivo, pungente, parecia capaz de hipnotizar. Por quê nunca ninguém o havia escolhido? Estava no salão há quase dois anos e não entendia como não o utilizara antes. Vou oferecê-lo a todas as clientes daqui por diante, pensou. Ante o pensamento da manicure, Jéssica sorriu na poltrona.


***


A chuva tornou-se mais forte e os relâmpagos mais constantes enquanto Dani manicurava. A temperatura pareceu diminuir drásticamente, mesmo para a época. Jéssica não era exatamente uma cliente 'falante', de modo que, após duas ou três tentativas de puxar assunto retribuídas com falas monossilábicas, Dani desistira de qualquer interação.

Na verdade, a manicure sentiu-se um pouco intimidada durante a execução do trabalho. Jéssica Dumore parecia ter os olhos fixos em Dani, como se avaliasse algo mais do que seu desempenho profissional.

Por fim, as unhas ficaram prontas. Mais uma vez, Dani ficara orgulhosa de seu êxito. Era, de fato, excelente naquilo que fazia. Um sorriso tão enigmático quanto o de uma Monalisa moderna surgiu nos lábios de Jéssica quando examinou o serviço.

- Perfeito! [disse Dumore, com a voz ronronante de Kathleen Turner] Quanto lhe devo?

- Obrigado. [Dani sentiu-se encabulada] São quinze re...

"I've had, the time of my live...", a música tema de Dirty Dancing começou a tocar. Era o toque do celular de Dani. Ela havia deixado o aparelho sobre a pia quando preparava o almoço. Pela hora, talvez fosse Amanda, sua filha mais velha. Sempre ligava por volta das duas da tarde. Pedindo licença para Jéssica, dirigiu-se rapidamente à pequena cozinha.

O telefone parou de tocar quando Daniela foi atender. O visor mostrava <NÚM. RESTRITO>. Deve ser alguma empresa de cartão, pensou a manicure, enquanto regressava para o local de trabalho.

- São quin...

Novamente não terminara a frase. Jéssica Dumore havia desaparecido! Impossível, pensou Dani, ela estava aqui há vinte segundos!

Sobre a mesa de serviço estava uma nota de R$50,00, dobrada abaixo do vidro do esmalte escolhido. Ao lado, um cartão de visita com os dizeres JÉSSICA DUMORE em letras estilizadas, com um número de telefone com o DDD 92 em relevo, margeado por tribais de cor dourada.

Intrigada, Dani tentava imaginar o quê afinal de contas fazia sua nova cliente, já que o cartão que agora segurava nada especificava, quando uma mão repousou sobre seu ombro esquerdo. Dani gritou, girando nos calcanhares, encontrando o rosto surpreso de Beth Rossner.

A manicure perdeu e equilibrio e Beth precisou segurá-la e ajudá-la a se sentar.

- Meu Deus, Dani! O que houve, criatura?! Você está tão pálida!

Dani lhe contou, sentindo-se tola e levemente irritada quando Beth finalmente riu do susto involuntário que causou.

- Calma, amiga. [Beth falou] Ela devia estar com muita pressa, você mesma disse que ela queria um serviço rápido.

- Mas... você não a viu quando chegou?

- Não, mas ela pode ter saído por outro lado. E também, posso ter visto e nem notado.

- Sim, mas,.. Ai, sei lá!

Beth riu novamente da confusão de Dani. Desta vez, tendo companhia da mesma.

- Olha [disse Beth], vai almoçar, amiga. Sei que tá com fome. Pode até ir na lancheria alí da frente, hoje tá bem tranquilo.

- Tem certeza?

- Claro! Você merece, depois de hoje!

E novamente riram. Dani, ainda nervosa, mas um pouco mais calma, levantou-se e foi pegar sua bolsa. Beth, distraidamente, guardou a chave que usara para entrar e foi preparar um café para as possíveis clientes.

Então esta é a primeira parte de um longo conto cheio de surpresas e mistérios, espero que tenham gostado, obrigado pela atenção de vocês, e lá vamos nós, aos poucos, mas estamos nos reerguendo.

*EXCLUSIVO CREEPYPASTA PURO / POR WAGNER DE LA CRUZ*

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Creepypasta dos Fãs - Horror na Escola

- Se apresse, menino! Vai se atrasar! [gritava Íris para o filho].


Já passava do meio-dia e Bruno ainda não estava pronto para almoçar e ir para a escola. Na verdade, ainda estava só de cuecas e metido embaixo das cobertas quando sua mãe chamou.


Na noite anterior o Telecine Cult transmitiu "O Exorcista", clássico que ele apenas ouviu falar, mas nunca havia assistido. Sempre lhe disseram que era o filme mais assustador de todos os tempos, o que despertou sua curiosidade quando viu, no final da tarde passada, que estaria em exibição.


O horário marcado era 02:25, Bruno precisou deixar o despertador ligado para não perder a hora. Assim, com a TV do quarto em volume baixo, para não atrapalhar o sono dos pais e receber um bronca, ele assistiu a obra-prima de William Friedkin sem medo, do auge dos seus nove anos. Bom, não exatamente sem medo. Ao término do filme, já passada as cinco da manhã, as cenas da possessão da garota Reagan não saiam de sua mente. Era fechar os olhos que as imagens do vômito verde, o giro da cabeça, a masturbação com o crucifixo (que ele sequer entendeu bem) ou a levitação teimavam em surgir. Claro que ninguém saberia disto, já que seria humilhante para um homem admitir que ficou com medo de um filmezinho bobo, assim pensava.


O sono só chegou muito tempo depois do Sol raiar e iluminar parcialmente o quarto do garoto. Ainda que tivesse medo de que, a qualquer instante, sua cama fosse começar a balançar, sentiu-se mais seguro sendo dia e os pais estarem acordados. Quando escutou o pai ligar o chuveiro caiu no sono quase instantâneamente. Não teve pesadelos. Na verdade, nem teve certeza se dormiu, tinha a impressão de num instante fechar os olhos e no outro ser despertado pela mãe.


Preguiçosamente, vestiu a primeira camiseta que sua mão tocou e dirigiu-se para o banheiro, semi-acordado. Lavou o rosto, escovou os dentes, urinou abundantemente (não o fazia há mais de dez horas) e tomou um banho rápido, quase frio, mais para despertar do que para higienizar-se. Após fechar o chuveiro e apertar a toalha contra os olhos ao secar-se, já se sentia mais disposto. 


O cheiro da comida da mãe era delicioso. O aroma do feijão bem temperado atiçou o estômago de Bruno logo que ele saiu do quarto, já vestido para o colégio. Tinha fome. E agradecia a Deus pelo cardápio não trazer sopa de ervilhas. 


*****


Bruno estava no segundo ano. Estudava na Escola Municipal de Ensino Fundamental Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, em Novo Hamburgo, no bairro Redentora. Era um dia bonito de outubro, em plena primavera, com o Sol brilhando e uma leve brisa impedindo que o calor insuportável se instalasse.


Exatamente para aproveitar a tarde, a professora resolvera antecipar a Educação Física, que estava programada apenas para o próximo dia.


- Não é dia de ficarmos trancados na sala! [Dizia animadamente Fernanda, a mestra, que na verdade era uma estagiária e não tinha idade nem para ser mãe dos seus alunos].


Bruno gostava de futebol, mas, após dormir pouco e ter comido rapidamente no almoço, não se sentia muito animado para jogar. Mesmo assim, atendendo a pedidos dos seus colegas e, principalmente, porque Marianne, a menina que ele gostava, estava olhando, decidiu jogar um pouco. Bem pouco, na verdade, já que, cinco minutos após entrar na quadra, uma bola afortunadamente acertou seu nariz, após um colega do time adversário chutá-la forte e sem direção. Bruno caiu de costas, enquanto enxergava raios de todas as cores e formas graças a bolada. Fernanda chegou a correr para acudí-lo, mas as risadas dos colegas, juntamente com a vergonha de ter feito papel de bobo à frente da mulher da sua vida trataram de reanimá-lo imediatamente.


*****


Nuvens começavam a se formar, escondendo o Sol. A brisa já começava a tomar forma de vento e, por precaução, Fernanda decidiu que era melhor retornarem à classe.


Mais cansado ainda, após tentar exibir-se para Marianne e ser nocauteado, passando o resto da aula emburrado, Bruno sentou-se pesadamente em seu lugar, no fundo, próximo à janela, e se pôs a conversar com Jean, seu colega e melhor amigo.


- E aí? Viu o Exorcista ontem? [perguntava Bruno]


- Pior que não. Meus pais não me deixaram ver e…


- Ah! Não mente, cagão!


- Sério, cara! Eu ia olhar, sim!


- Aham, sei… Tava é com medinho, seu viado! Eu olhei todo e…


- Meninos… [interrompia a professora] Abram seus livros, agora é hora do conto.


- Viadinho… [disse Bruno para Jean, quase inaudível, com um sorriso de canto de boca]


A hora do conto, para Bruno, era tédio puro. Nunca gostou muito de ler, nem mesmo quadrinhos. Se ler já era chato, dizia, imagina alguém ler para você! E a história de hoje era João e Maria, um conto que ele já ouvira umas quinhentas vezes e que achava muito infantil. Mesmo assim, resolveu acompanhar a professora Fernanda no seu Livro dos Contos, um calhamaço com cinquenta histórias que os alunos receberam no início do ano letivo.


A chuva começava a cair, de imediato Bruno bocejou, mas seguiu acompanhando a fábula. Quando João e Maria encontraram a casa de doces na floresta, Bruno embaralhou a vista e quase não distinguiu as letras do texto. Quando João ofereceu um graveto para a Bruxa tocar, no lugar de seu dedinho, Bruno cochilou sobre o livro.


Acordou de sobressalto, com o barulho do granizo batendo no vidro da janela. De olhos arregalados, percebeu que estava sozinho na sala. Percebeu que estava com muito frio. Percebeu que já anoitecera…


*****


Quanto saiu do banho e vestiu-se para ir à escola, usava apenas uma calça jeans e uma camiseta gola polo, e saíra reclamando do calor.


- Leva uma blusa, pois esfria de tarde! [disse-lhe sua mãe].


Bruno não lhe deu ouvidos, como era de praxe. Desta vez, porém, arrependia-se. O termômetro da sala, que a tarde registrava 25°, agora marcava 5°. Um frio atípico para a estação.


Com os braços cruzados sobre o abdômem, caminhou até a porta, rezando para que não estivesse trancada. Um arrepio correu pelo pescoço quando tocou a maçaneta, sentindo todos os pêlos do corpo se eriçarem, mas, felizmente, estava destrancada.


O frio fora da sala era estranhamente menos intenso. Porém, o corredor estava às escuras, bem como toda a escola. Pelo que o garoto lembrava, o interruptor se localizava em uma pilastra próxima à escada, há uns cinquenta passos de onde ele estava, segundo suas contas. Não queria passar a noite alí, mas, principalmente, não queria permanecer no escuro. 


Aguardou seus olhos acostumarem com a penumbra e, guiando-se pela parede, saiu para o corredor. Mentalmente ia contando os passos, quase não respirando de tensão, ouvindo o barulho do granizo no telhado. 


Vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove…. O frio retornava com força. Agora ele podia ver nuvens de ar a cada respirada. Quase pensou em voltar correndo para a sala de aula, mas agora estava mais perto do interruptor, então decidiu acelerar o passo, quase correr.


Quarenta, quarenta e um, quaren… seus pés pisaram em algo molhado e viscoso. Mal teve tempo de registrar isto, pois vislumbrou a pilastra quase ao alcance das mãos. Deixando o apoio da parede, Bruno correu onde se lembrava que ficava a chave de energia. Seus dedos tocaram imediatamente as teclas e fez-se a  luz! 


Com o corredor perfeitamente iluminado, Bruno teve um hiato de cinco segundos de uma tranquilidade razoável, até registrar uma poça de sangue a menos de dez metros de onde ele estava. Seus olhos se voltaram primeiro para as pegadas rubras que seus tênis deixaram pelo caminho, e em seguida para o teto, sobre a poça, de onde pendia o corpo do senhor Mauro, o zelador da escola. Estava nu, pendurado pelos pés através de uma corda fixada em um suporte de uma das luminárias. Uma perfuração no centro do peito e o rosto completamente vermelho, com um semblante de sofrimento, davam a ideia de que sangrara até morrer.


As pernas de Bruno fraquejaram, seu estômago se contorceu, querendo expulsar o almoço. Inclinou-se sob o parapeito e, segurando-se nas barras, vomitou. O som ecoava na escola vazia. Pálido, ainda tremendo, contornou a poça e correu para o andar de baixo.


*****


O térreo estava iluminado somente pelas luzes do segundo andar. O hall de entrada da escola tinha uma porta dupla de um vidro transparente, dando direto para o pátio principal. Bruno correu direto para lá, e forçou uma das folhas. Sem sucesso. A porta, além de trancada a chave, possuia uma corrente unindo os puxadores, do lado de fora, com aros grossos, e um cadeado.


Desesperado, jogou-se contra o vidro, que devolveu o mesmo impacto, atirando-lhe ao chão. Um trovão ribombou no pátio, sobre uma das traves de madeira da quadra de futebol. O fogo imediatamente começou a consumir as goleiras. Com dificuldade, Bruno levantou-se, apoiando o corpo nos pesados vasos de planta que ali haviam. Devido ao breu da noite, não havia percebido algo nas traves que, agora, devido ao fogo, podia ver melhor: Professora Fernanda, sem roupas, pendurada pelo pescoço em uma corda no meio do travessão e com as mãos amarradas às costas tremulava ao ritmo do vento. 


Bruno ficou em estado de choque. Estático, permaneceu olhando fixamente para o pátio, com os olhos arregalados e a boca aberta. Só saiu do transe quando o fogo consumiu a corda e Fernanda, com os cabelos em chamas, caiu no chão de concreto. Ele precisava sair dalí, tinha de achar uma saída, não queria ficar preso naquela escola. 


Sem ação, lembrou-se dos banheiros, que ficavam bem próximos da entrada. Cada compartimento possuia uma janelinha. Ele teria de tentar. Disparou na direção dos sanitários mesmo quase sem visibilidade, com a adrenalina em alta. Nem percebia que chorava até as lágrimas salgadas chegarem à sua boca.


*****


Meio trôpego, Bruno deu com o nariz na porta do banheiro masculino. Testara a maçaneta insistentemente, quase a arrancando da fechadura, mas nada acontecia. Frustrado, escostou a testa na madeira e começou a chorar copiosamente, deixando-se deslizar até o chão enquanto soluçava.


Foi em meio às lágrimas que, olhando para a escada que conduzia ao segundo andar, vagamente iluminada, um movimento chamou-lhe a atenção: envolto em algo que parecia uma toga com capuz, um Ser praticamente deslizava rumo ao andar de baixo através dos degraus. Lentamente, o Ser virou a cabeça na direção de Bruno. Um par de olhos estrábicos, de um violeta vivo, fitaram o garoto. Da fenda negra abaixo do nariz, bem evidente devido a pele pálida, um largo sorriso com dentes disformes e amarelados surgiu. A coisa apontou um dedo para Bruno:


- Você… [a voz era quase um ronronado de um gato] Quero você…


A bexiga do menino soltou-se nesta hora. Nem percebeu o mijo quente escorrer por entre as pernas. A sua mente de garoto não havia lhe sugerido tentar o banheiro feminino. Era algo errado, proibido. Mas Bruno não mais importava-se com bons modos e, antes da criatura entrar na curva da escadaria, testou a porta do sanitário das meninas. Quase gargalhou ao achá-la destrancada. 


Encostou-a sabendo ser inútil, já que não tinha a chave, mas não se preocupava com isto. Precisava ser rápido, podia sentir o farfalhar da toga nos degraus da escada há menos de trinta metros. Aliviou-se ao achar a tomada e ter o cômodo inteiramente iluminado.


O banheiro feminino tinha três compartimentos, e, instintivamente, dirigiu-se ao central. Ao abrir a porta sentiu uma nova onda de horror: Jean estava sentado, com as calças abaixadas. O colega de Bruno fôra decapitado, e só foi reconhecido pelo amigo graças a camiseta da banda Oasis, que usava frequentemente, agora ensopada de sangue. Tornando a cena ainda mais bizarra, Jean segurava em suas mãos, na frente da virilha, a cabeça de Marianne, que mantinha a boca escancarada em um eterno O e os olhos abertos sem vida e sem íris.


Pela primeira vez na noite Bruno gritou, e cambaleou de costas até encostar na parede, afastando-se daquele cenário aterrador. O ar parecia impregnado com o cheiro pesado de sangue. Um gosto de bile subiu à garganta do rapaz quando escutou passos vindo do exterior do banheiro.


Impelido pelo medo, entrou no compartimento central, e puxou o amigo morto para o lado, a fim de subir no vaso. Ao deslocar Jean, o defunto derrubou a cabeça de Marianne. O barulho foi semelhante ao que se ouve ao atirar um peixe sobre uma tábua de madeira. A janela abriu sem dificuldade no exato instante em que a porta rangia ao ser aberta lentamente. Bruno subiu na caixa descarga, escorregadia devido ao sangue, e içou-se pela pequena abertura acima. Em três segundos estava do lado de fora, estatelado na relva, de costas para cima. Virou-se a tempo de ver o rosto pálido do Ser na janelinha, ainda a lhe sorrir.


A chuva era fria, as roupas estavam empapadas, Bruno tremia e batia queixo. Levantou-se e caminhou em direção ao portão da escola. Um cheiro de carne de porco assada chegou ao seu nariz ao passar próximo do corpo fumegante da professora. Ela havia caído de lado, e não era mais do que um esqueleto envolto em pele negra ressecada, mas com os olhos estranhamente vivos a fitar o garoto.


O granizo castigava-lhe o corpo franzino. Estava exausto, machucado pela queda, chocado com tudo que havia passado, mas resistia à entrega bravamente. Precisava sair daquele inferno e buscar ajuda. Estava a menos de dez metros do portão quando uma pedra de gelo do tamanho de uma bola de pingue-pongue o acertou no supercílio, o derrubando de joelhos.


Com a visão turva, levou uma das mãos ao machucado e se assustou quando as pontas dos dedos se mancharam de sangue. Do SEU sangue. Apoiando um braço no solo, levantou-se novamente e deu dois passos até que uma nova pedra de gelo, desta vez quase do tamanho do um punho fechado, atingiu-o na face, jogando-o no chão lamacento. Um gosto ferroso de sangue inundou sua boca enquanto a chuva de granizo ganhava força, judiando-o por inteiro.


Mesmo no frio sentia o corpo arder nos locais em que era atingido. Num ato de desespero levou as mãos ao rosto para se proteger. Parecia que todo o granizo do mundo havia o escolhido para alvo. Ao virar-se de barriga para baixo instintivamente, a fim de proteger os órgãos vitais, uma última pedra atingiu-o na nuca. Bruno perdeu os sentidos em meio a tempestade, enquanto uma poça de sangue aquoso formava-se ao redor de seu corpo.


*****


Um barulho contínuo trouxe-o de volta. Estava deitado em uma cama branca, num quarto branco, com uma pessoa de branco à sua frente. Tinha dificuldade para abrir os olhos, que estavam bem inchados, mas, ao vislumbrar a mãe sentada na poltrona a seu lado, quase fez o globo pular da cavidade. 


A mãe foi até ele e o abraçou levemente enquanto chorava silenciosamente, evitando forçá-lo muito.


- Eu… [Dizia Bruno, quase sussurrando] eu tô vivo? Mãe?


- Sim, filho! Sim! [Íris começava a chorar mais alto] Deus é bom!


- Mas… mas como me acharam?


A mãe olhou para o doutor, que lhe devolveu o olhar, meio embascado, piscando através dos óculos de lentes esmaecidas.


- A diretora ligou, filho. Você bateu com a cabeça na quadra jogando bola, lembra?


- Eu? Quando?


- Há dois dias, Bruno. [Respondeu o médico, por baixo da máscara cirúrgica] Desde então você apenas dormiu, até agora.


A cabeça de Bruno voltou a doer, sentiu o mundo girando. Sua mãe segurava seu pulso. 


- Tudo bem. [continuou o doutor] É uma reação natural de quem sofre algum trauma no crânio. É melhor deixá-lo descansar mais um pouco, dona Íris.


A mãe acomodou-o no travesseiro. Um sorriso brotou no rosto de Bruno. Agora percebia que estava nu, provavelmente devia ter urinado nas roupas e na cama e foi preciso trocá-lo, mas era uma humilhação que poderia suportar.


- O que foi, filho? Por que o riso?


- Nada não mãe, um negócio que sonhei, só isso.


- Deve ter sido um sonho e tanto. [Disse o médico] Você dormiu por quase dois dias inteiros. Dormindo você se recuperaria mais rápido.


Bruno viu o médico introduzir uma seringa no frasco de soro que estava conectado ao seu corpo. 


- O que é isto, doutor?! [perguntou o rapaz]


- Ah. É um negocinho para você dormir mais um pouco. Ainda não está bem, bem. Mais um dia de recuperação e já vai poder voltar até a namorar. [o doutor piscou para Íris, e um sorriso de alívio surgiu no rosto da mãe, em meio às lágrimas incessantes]


Íris abraçou o filho uma vez mais. Sua testa já não estava febril, o que aliviou ainda mais a mulher. 


- Eu vou ao banheiro lavar os olhos filho. Já, já eu volto.


Após um beijo no rosto, a mãe de Bruno deixou-o só com o médico. O menino já sentia a sonolência lhe dominar enquanto seus olhos percorriam o quarto de hospital. Um instante mais tarde, seu olhar parou em seus tênis, colocados sobre a roupa dobrada que usava quando foi a escola na última vez, em cima de uma cadeira. Na sola, Bruno notou manchas vermelhas, como se ele houvesse pisoteado em beterrabas cozidas.


Aflito, mas sem forças, olhou para o doutor, parado aos pés da sua cama, com uma segunda ampola nas mâos. O médico baixou a máscara e sorriu, exibindo seus dentes amarelados e podres, e aproximou-se de Bruno. Através dos óculos, o garoto viu com incredulidade e terror os olhos vesgos cor de violeta. Então falou, abaixando o rosto próximo o bastante para que seu paciente sentisse o hálito putrefato:


- Bons sonhos, menino. Descanse em paz.


Depois disto, o mundo de Bruno foi tomado pelas trevas.

Escrito por: Wagner De La Cruz

**
Quer enviar sua creepy? Acesse a sessão Creepypasta dos Fãs e leia!

A Arte de Jacob Emory

Histórias de fantasmas? Não, nós não temos essas coisas por aqui. Mas nós temos a história de Jacob, e isso é o que tem de mais parecido.

... Você realmente quer saber?... Bem, eu não deveria contar a você, mas tudo bem, só não interrompa. Eu não tenho paciência pra isso.

Como descrever Jacob Emory... bem, acho que você pode dizer que ele era o tipo de cara que podia facilmente passar despercebido. Não estou querendo dizer que ele era um jovem ruim, de jeito nenhum – muitas pessoas nessa cidade achavam que ele era a pessoa mais confiável para executar pequenos serviços nesse estado – mas ele nunca se destacou em nada. Ele era a prova viva por trás da frase "ajudante de tudo, especialista em nada". Grande parte disso se devia à própria falta de interesse dele. Ele se interessava por praticamente tudo que essa cidade tinha a lhe oferecer: automóveis, operação de rádio, administração de loja, o que fosse, mas nunca se fixava em nada. Seus amigos e colegas de trabalho perguntavam a ele inúmeras vezes o motivo disso, mas todos recebiam a mesma resposta meia-boca: "Não era o suficiente". Não é necessário dizer que ou os amigos dele eram muito pacientes ou nunca tocavam nesse assunto.

Provavelmente era inevitável, naquela época, que Jacob fosse embora para o exterior. Eu não me lembro pra onde ele foi, mas eu acho que a Gertrude, do fim da rua, sabia antes de falecer – agora você terá que ir atrás de outra pessoa se um dia ficar curioso. De qualquer forma, ninguém tentou impedi-lo. Todos acharam que uma pequena viagem despertaria a ambição nele, ou pelo menos a faria crescer até que não fosse mais um problema. Inferno, nós até fizemos uma festa de bota-fora pra ele, o que eu achei muito legal da parte de todos.

Mas então, ele ficou fora por... seis, sete anos? Não me lembro. Você vai ter que verificar isso com outra pessoa também. Enfim, ele voltou, e tinha mudado, obviamente bastante. Ele estava amável, cheio de energia, sorrindo o tempo todo, e rapidamente descobrimos por que. Ele nos mostrou um souvenir que trouxe com ele – um bastão preto sólido, do tamanho de um lápis, mas com textura de giz. Todos nos perguntamos por que raios uma coisa tão simples provocaria tanta alegria na vida dele, até que ele nos deu uma demonstração. Ele pegou um pedaço de papel e com o seu bastão – Deus, deve ter uma palavra melhor pra isso – ele... desenhou um círculo simples.

O círculo caiu e repousou na borda do papel, como uma pedra. Ele não caiu do papel, mas se movia por ele, como se fosse um filme velho projetado em uma tela.

Filho, eu sei o quanto isso parece loucura, e se você quiser bancar o cético, então pode deixar um velho com suas doideiras. Mas eu sei o que eu vi, mesmo que todos estejam tentando esconder, e aquela pedra que ele desenhou caiu. Jake até passou o papel pra gente, e quando o passávamos de mão em mão, o círculo rolava conforme o papel ficava inclinado. Nenhum de nós tinha palavras pra isso – Inferno, o que poderíamos dizer? – mas ele continuou desenhando uma demonstração depois da outra pra gente, figuras de palitinhos fazendo espetáculos e peças, fazendo tudo, desde lutar umas com as outras até fazer pirâmides "humanas" perfeitas, e todos achamos aquilo incrível. Isso era todo o incentivo de que ele precisava – ele anunciou que planejava fazer shows pra poder pagar o aluguel e comida, onde ele desenharia tudo o que a platéia pedisse. DISSO nós falamos um bom tempo, e ele eventualmente nos convenceu que seria seguro, que seus desenhos seriam éticos, que a prática seria única e lucrativa, e que a atenção não iria além das fronteiras da cidade.

Pobre Jacob. Se eu não tivesse me deixado levar pelo momento, eu poderia ter visto os sinais bem ali, naquela hora, e salvo o miserável, quebrando aquela coisa terrível no meio. Mas eu era jovem, todos éramos, e não vimos problema em encorajá-lo com o que achamos que era uma experiência a ser dividida com todos. Agora, ele não tinha nenhum rádio ou conexão de TV, saiba disso, e a internet não chegaria antes de uma década. Então ele fez o que todas as pessoas sem grana fazem – ele anunciou o show usando panfletos. Panfletos podem não significar nada pra vocês da cidade grande, mas em uma cidade pequena, eles ganham destaque de tempos em tempos, e melhor ainda, Jacob conseguiu destacá-los desenhando pequenas figuras que pulavam e faziam de tudo pra chamar a atenção das pessoas. Seu primeiro show deve ter atraído cerca de sessenta pessoas, provavelmente muito mais do que isso.

E seus shows eram fantásticos. Alguém gritava uma cena de uma peça ou algum esquete de comédia e a mão de Jake voava pela parede branca como um pássaro. Ele estava se contendo quando desenhou aquela pedra, com certeza. Suas ilustrações eram sempre exatas, e ele podia desenhar uma figura humana incrível em minutos. Parando pra pensar, eu não me lembro de nenhuma de suas cenas demorar mais do que dez minutos pra ser desenhada. Eram cenários muito bem feitos – não dava só pra ver um cavaleiro invadindo um castelo, Jake desenhava o interior também, como se fosse um bolo de noiva partido ao meio. Então era possível ver o cavaleiro escalando os muros, lutando pelos corredores das masmorras, voltando com a princesa e saltando do parapeito do muro sobre seu cavalo de fuga, tudo em completo silêncio.

Não era realista, mas isso era parte da graça – nenhum de nós foi até lá esperando algo realista. Quando uma cena estava terminada, ou os personagens saíam de vista pela parede ou ele cobria a parede com tinta branca. Isso era bom, de certa forma – dava aos shows um tempo limite, pois quando ele terminava as quatro paredes da sala, todos sabiam que o show estava terminado até que as paredes secassem.

Enquanto isso, Jake estava mudando pra pior. Eu mencionei que, quando ele voltou, estava extremamente energético. Bem, essa energia, essa vitalidade ou fervor ou como você quiser chamar, isso nunca foi embora. Nem por um instante. Longe disso, só pareceu aumentar dentro dele, e ele gostava disso. Seus olhos ficavam mais abertos, ele dormia cada vez menos, suas afirmações e opiniões ficavam mais radicais e delirantes, e apesar de nunca ter sido uma companhia fácil, ele estava começando a deixar as pessoas irritadas com sua presença.

Um ou dois meses se passaram e a platéia de Jake cresceu como um incêndio. Praticamente todos da cidade pagavam pra ver a arte do Jake em ação, e ele tinha que alugar lugares cada vez maiores pra acomodar todos. Ele agora não parava depois que uma cena estava completa – ele passava direto pra próxima, indo para o próximo espaço em branco na parede, às vezes causando o intrigante efeito de misturar as cenas, o que a platéia adorava. Os temas ficaram mais selvagens e imorais, os monstros ficando mais bizarros e criativos, os lutadores usando armamentos impossíveis, tudo para agradar à platéia. Jake ficou mais indulgente, o que achamos ser consequência do dinheiro, e se tornou alcoólatra e mulherengo (aliás, nenhuma dessas duas coisas conseguiu diminuir sua vitalidade). Algumas dessas mulheres diziam que acordavam no meio da noite e o encontravam rabiscando com aquele bastão em um bloco de desenho, com um sorriso gigante e sinistro no rosto. E enquanto a maioria achava que ele estava simplesmente as desenhando nuas, há rumores de que uma ou duas mulheres conseguiram dar uma olhada nesse bloco de desenhos. Essas poucas anônimas supostamente disseram que aqueles desenhos não são, de jeito nenhum, desenhos de nudez, mas nenhuma delas, sejam que forem, disseram o que viram. E não se incomode em procurar pelo bloco ou pelos panfletos, eles já eram. Mas eu estou me desviando do assunto. O ponto é que ele estava enchendo a cara, e isso é importante, porque é essa bebedeira que iria arruinar tudo.

Na noite de uma de suas apresentações, quando ele ficou de frente com a platéia aplaudindo, ficou imediatamente visível a todos que ele estava completamente bêbado. Eu estava na fileira da frente e podia sentir o cheiro de whiskey a três metros de distância. O show começou, ele desenhou um monte de cenas que a platéia recomendou, quando no final alguém pediu que ele desenhasse a si mesmo. Todos aplaudiram a idéia, acho que eles estavam imaginando o que suas criaturas pensariam dele, e ele eventualmente obedeceu.

No momento exato em que Jake uniu as últimas linhas de seu casaco, cada um dos outros personagens, espalhados pelas vastas paredes, pararam e olharam para aquela ilustração. Namorados pararam com os beijos, palhaços pararam de rir, robôs pararam de lutar contra piratas, tudo parou e olhou para a ilustração de Jacob. A platéia silenciou quase que instantaneamente – eu me lembro da cara do Jake naquele momento, pálida, refletindo a terrível compreensão de seu erro, e procurando desesperadamente pela tinta branca que ele esqueceu de preparar antes do show. Todo o resto? Estavam olhando para o Jake falso.

Aquele Jacob enfiou a mão no bolso da jaqueta e tirou seu próprio bastão preto, e diante de todos que assistiam, desenhou uma porta. Ele empurrou de seu lado e a porta se abriu, permitindo que ele atravessasse a porta para o piso do auditório.

O resto foi um absoluto e infernal pandemônio. Pessoas gritavam e corriam para as saídas enquanto os personagens do Jacob, tanto os desenhados nas paredes quanto aquele que tinham sido apagados com tinta, saíam por sua própria porta, jogando tortas, atirando lasers, soprando fogo e veneno e tudo mais. Eu estava perto de uma saída de emergência e dei apenas uma olhada pra trás. Essa cena vai me assombrar para sempre.

Jacob Emory estava sendo arrastado por suas criações pela porta que sua cópia havia desenhado.

O auditório se incendiou, mas eu não faço idéia de quantos personagens escaparam, o que aconteceu ao falso Emory ou quantas pessoas morreram. O incêndio atraiu os bombeiros das cidades mais próximas em um raio de cem milhas – eles trouxeram a polícia, que trouxe o governo, que abafou tudo. Eles levaram os panfletos e qualquer arte feita por Jake, e fizeram todos jurar segredo, sob pena de prisão perpétua. Puseram a culpa do incêndio em um cigarro numa lata de lixo durante um jogo de basquete, e todos nós eventualmente seguimos com nossas vidas. Era como se Jake nunca tivesse existido.

Olhando pra trás, eu entendi tudo. Jacob não estava criando ilustrações. Ilustrações não se movem, muito menos atacam – são só imagens que as pessoas vêem, sombras feitas pra se parecerem com coisas reais. Jacob esteve criando vida – coisas conscientes, de verdade, em alguma dimensão alternativa, usando um poder que nunca foi feito pra cair em mãos humanas. Ele se embriagou com esse poder. Sua punição provavelmente foi merecida.

Acidentalmente, o governo fez merda em duas ocasiões diferentes. Eles fizeram um belo de um trabalho silenciando todo mundo, mas restaram provas. As ruínas ainda estão lá, sabe. As ruínas do auditório. Eu ouvi que eles vão começar a reconstrução em breve, o que irá apagar qualquer evidência que alguém poderia encontrar. Mas eu voltei lá uma vez, muitos anos depois do incêndio – só uma vez. No meio dos escombros, coberto de cinzas, eu vi algo se contorcendo. Olhei mais de perto. Era a mão de Jacob Emory na parede. Exatamente como era há três anos (suadas e calejadas, eu me lembro), mas estava constantemente se agitando, como se o corpo ao qual ela deveria estar presa ainda estivesse se contorcendo nas chamas.

Esse foi o primeiro erro. O segundo foram aquelas criações.

Como eu disse, eu não sei quantos escaparam, nem quantos os agentes do governo capturaram, mas eu só digo isso – Aqueles campos com grama alta na periferia da cidade? Não vá até lá. Nunca. Você estava querendo saber sobre essas criaturas brancas que você vê à noite certo?

Essa cidade não tem histórias de fantasmas.

Traduzido de: http://www.creepypasta.com/the-art-of-jacob-emory/
Tradução: Paulo Guimarães.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Stress

Estresse

Substantivo 1. Importancia interligada a algo.

2. Ênfase na intensidade de uma sílaba ou palavra por conta do resultado de um esforço especial em sua pronúncia.

3. Tom ou ênfase nas sílabas em um padrão métrico.

4. Ênfase em melodia, ou ritmo.

5. A pressão, atração, ou força física exercida em uma coisa por outra; tensão.

Estatísticas

Em 2011, aproximadamente 1.6 milhões de pessoas disseram sofrer de estresse por causa de seus trabalhos, mais do que 1.3 milhões de pessoas em 2009/10.

85% das adolescentes dizem sofrer de estresse por culpa de problemas econômicos (versus 75% de adolescentes do sexo masculino).

Teoria

A lei da conservação de energia supõe que a mesma não pode ser criada e nem destruída.

Energias podem mudar de formas e estado dentro do sistema.

Todas as energias devem ter uma fonte única.

Seres humanos, plantas, e animais eventualmente exalam seus estresses em algo, liberando a energia de dentro.

E se toda essa energia se manifesta-se em um único lugar?

Poderia então todo o estresse, vindo de múltiplos países, de todo o mundo em geral, ser dispensado em um único lugar? Em uma fonte?

Esse estresse poderia se manifestar em uma poderosa forma de energia.

Essa forma depende do nível de poder e energia captadas da manifestação do estresse.

Se a manifestação adquirisse energia suficiente para poder manipular seus arredores, o quão poderosa poderia ser?

Grande parte da energia liberada pelo estresse não é positiva. Se toda essa energia negativa tivesse o poder para manipular o seu ambiente, quais seriam as consequências?

Essa é a teoria do estresse. Elaborada após concluir-se que se energia suficiente é dispensada dentro de algo com um certo número de fontes, a energia poderá se manifestar e desenvolver características e comportamentos que as fontes citam.

Um excelente exemplo da energia em prática é o Hotel Conneaut. Existem casos de aparições como por exemplo uma noiva, um pequeno garoto e seu triciclo, e um malévolo açougueiro. Quando uma pesquisa foi realizada na história do hotel, quaisquer registros de mortes no hotel não foram encontrados, nem de açougueiros violentos, noivas ou garotinhos.

As fontes dessas energias na verdade não provinham de almas perdidas, mas de energia manifestada. A lenda sobre esses fantasmas lendários foi espalhado pelo hotel inteiro para tantos hóspedes que eventualmente a energia se manifestou e se desenvolveu nessas lendas.

Mas esse é um raro caso, pois somente se ocorre o evento quando uma quantidade potente de energia provida de diferentes fontes é direcionado em uma teoria ou ideia. Então se toda a negatividade e dor 
providos do estresse fossem se manifestar, como e qual seria o resultado?

O resultado seria um ser, possuíndo mais poder do que qualquer coisa neste planeta. Esta existência iria provavelmente se manifestar como uma energia sem formato. Apesar de não ter forma e visibilidade, esta energia seria capaz de destruir qualquer coisa que fosse tocada.

O estresse geralmente conduz a pessoa a um estado destrutivo, aonde elas necessitam quebrar o que estiver em frente ou desperdiçá-la em algo. Esta raiva e energia desenvolvida podem levar a comportamentos extremamente perigosos e destrutivos sobre o que for que cruzar o caminho do ser.

O estresse, contudo, também pode trazer o estado de depressão. Isto causaria o ser a ter raiva e depressão incontroláveis, o que significa que seria suicida também. Devido ao fato de que este ser não pode morrer, já que ele não é nada além de pura energia, ele se tornaria o mais destrutivo possível, destruindo tudo o que puder.

Com isso, eu achei uma maneira de direcionar a energia do estresse na idéia deste ser. Você é apenas mais um dos milhares de pessoas que leram isto. Esta existência já está se manifestando. Ele começou a se erguer do nada.

Assim que ele existir, nada irá impedi-lo. Você não o enxerga, nem o toca, nem o sente, Você pode apenas alimentá-lo. Ele se alimenta de raiva, medo, depressão, tristeza e felicidade, enquanto ele se delicia da destruição. Não há como fazer este ser passar por fome. E ele irá trazer o fim do mundo--talvez do universo para nós.

Estresse

Substantivo 1. Importancia interligada a algo.

2. Ênfase na intensidade de uma sílaba ou palavra por conta do resultado de um esforço especial em sua pronúncia.
Brain460
3. Tom ou ênfase nas sílabas em um padrão métrico.

4. Ênfase em melodia, ou ritmo.

5. A pressão, atração, ou força física exercida em uma coisa por outra; tensão.

Créditos: http://creepypasta.wikia.com/wiki/Stress

Arquivo do blog